Próximo campo de batalha Apple/Google: televisões

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Esta semana saiu uma notícia no The New York Times sobre um acordo entre Google, Intel e Sony para o desenvolvimento de televisões com acesso fácil à Internet.

Aquando do lançamento do iPad veio-me imediatamente à cabeça um rumor antigo (e várias vezes rebatido) de a Apple prosseguir a sua ocupação da sala de estar com uma televisão que tivesse uma espécie de AppleTV embutido. Pensei isto por quatro motivos.

Primeiro, o AppleTV ser considerado pela empresa como um hobby (já atirado para fora da página principal da Apple Store e tudo) e ao qual não tem sido dedicado muito amor e carinho desde o seu lançamento em 2007. O iPad é mais um ponta-de-lança da Apple na sala de estar onde o rei continua para já a ser a televisão. E convenhamos que o AppleTV como existe actualmente é pouco apelativo.

Segundo, pouco antes do lançamento do iPad saíram a lume alguns rumores de que este teria acesso a subscrições de canais e programação de TV. Tal, para já, não se veio a verificar mas a semente continua.

Terceiro, a Apple comprou no final de 2009 a Lala.com, uma startup especializada em streaming de audio. Falou-se de que seria para uma versão algures na nuvem do iTunes. E quem se especializa em streaming de audio, facilmente aprende video.

Quarto, o próprio know how técnico dentro da Apple relacionado com ecrãs LCD e as suas relações comerciais principais fabricantes desse mercado.

Entretanto nunca mais me lembrei de escrever este post (preguiçoso!), até à notícia a que referi no topo e aos rumores da guerra total entre Apple e Google.

Depois da Google ter seguido a Apple para os browsers (Chrome), sistemas operativos para telemóveis (Android) e computadores (Chromium) acabou mesmo por lançar um telemóvel sob marca própria (Nexus One). Entretanto a Apple retaliou com um processo judicial por alegada violação de patentes por parte da HTC, fabricante do Nexus One.

Agora parece que a Google quer entrar na sala de estar através do Cavalo de Tróia que, a meu ver, faz mais sentido: a televisão.

Pondo a minha carne do assador, digo pois então, que nas televisões vamos ter pano para mangas nos próximos anos.

Do desaparecimento das “porn” apps na App store

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O NYT publicou ontem uma entrevista com Phil Schiller sobre a varridela que a Apple deu nas “porn/sexy/steamy/babes” apps da App Store. Aparentemente foram retiradas 4 mil apps em poucos dias, mas ficaram para trás algumas fornecidas por nomes grandes do sector como a Playboy ou a Sports Illustrated.

É aí que reside um dos busílis da decisão da Apple, o tratamento diferenciado de algo que deveria ser tratado de forma igual. Já lá vamos ao problema a montante que é a decisão de tirar o que quer que seja propriamente dita.

“The difference is this is a well-known company with previously published material available broadly in a well-accepted format,”

Phil Schiller

Ora, parece que para a Apple o que importa não é tanto o conteúdo mas sim o seu autor. Ou seja, senhoras saudáveis de bikini sim, mas só se vierem tratadas pelo Photoshop da Playboy ou da Sports Illustrated. Se vierem do José dos Anzóis, lamentamos mas só daqui a 50 anos quando a sua empresa for um nome grande da indústria. Até lá, temos pena.

Para os espertos citados pelo NYT a Apple está a proteger a sua imagem. É natural, afinal nenhum de nós se esqueceu da fúria da populaça aquando do acidente com o casaco da Janet Jackson no Superbowl de 2004. Uma verdadeira vergonha! Um escândalo! Esta decisão da Apple é par for the course, como dizem os ingleses.

Não espanta pois que a Apple esteja a precaver qualquer problema nessa área. A justificação de Schiller aponta para isso mesmo:

Mr. Schiller said Apple had to prioritize its customers. “We obviously care about developers, but in the end have to put the needs of the kids and parents first,” he said.

O que não quer dizer que se concorde com a medida, ainda que se tratarem de “porn” apps ou “pie in the sky” apps me seja igual ao litro.

Mas para mim o mais grave é a decisão de tirar o que quer que seja da App Store sem um motivo técnico ou legal por detrás mas apenas num qualquer capricho (neste caso, de puritanismo). Isto é, o sinal que a Apple está a passar aos utilizadores e programadores: o que nós deixamos acontecer hoje, pode dar-nos na cabeça mudar de ideias no futuro.

O que é mentira hoje, pode muito bem passar a verdade amanhã.

E já que estão numa de varridela baseada em critérios puramente subjectivos (”we hear our customers”), por favor tirem os mais de 100 mil apps que estão na App Store a encher chouriços. Este cliente sem filhos e muitos outros agradecem. Obrigado.

App Store: Controlo de qualidade sem a qualidade

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A ideia não é minha, mas sim da 37 Signals, num blog post em que decantam a experiência que é lidar com o processo de revisão da App Store da Apple.

Não só desfazem os supostos pontos positivos que o sistema de controlo da App Store alegadamente garante, como expõem alguns dos problemas associados. A analogia com o tempo em que as novas versões de um qualquer software tinham de ser distribuídas por CD - levando a actualizações pouco frequentes e mais abrangentes - parece-me especialmente certeira.

Do meu ponto de vista - o do utilizador - cada visita à App Store é um martírio. Recuso-me a andar à procura de aplicações no meio de tanto produto de pocilga. Hoje em dia descubro novas aplicações de uma de duas maneiras: em algum site na internet; via amigos. Daí que as aplicações no meu iPhone ocupem parcialmente apenas três dos oito ecrãs.

Da importância da falta de flash no iPad

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Para mim, é sintomático da importância do flash que no podcast que gravámos na passada sexta-feira para a Zwame (ainda não está online) não nos lembrámos, sequer, de falar nisso. Isto num programa de mais ou menos uma hora (give or take problemas técnicos).

Qualquer que seja o motivo para a Apple ter barrado a Adobe da festa do iPhone/iPad (vêm-me à cabeça questões técnicas, políticas e estratégicas) a verdade é que não vejo que faça qualquer falta.

Implica a malta que tem vídeos em flash tenha de mudar de plugin? Paciência. Ditto para os sorvedores de tempo que são os jogos online. A caravana passou.

iPad e o futuro da computação

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Não vou aqui repetir à exaustão a lista de novidades e falhanços do iPad. Já há bastantes (demasiadas?) análises dedicadas a esses pontos. Quero sim falar do iPad como um vislumbre do futuro da computação para os próximos 5-10 anos.

Enquanto estava a ver a keynote na passada Quarta-Feira formou-se no meu espírito a ideia de que estávamos perante uma mudança sísmica no que toca à forma de usar e interagir com computadores e, também, a forma como eles se apresentam e fazem o que deles esperamos. A meu ver, vamos caminhar nos próximos anos de analogias e representações que nos têm acompanhado nos últimos trinta anos como o rato, as janelas ou o sistema de ficheiros. O mundo em que o que hoje chamamos PCs (Macs incluídos) ir-se-ão transfigurando, deixando de se assemelhar ao que são hoje para copiarem a interface e utilização de iPhones/iPads/Smartphones.

Teremos um triunfo dos porcos, como na errada tradução do livro de George Orwell.

Não obstante, por todo o entusiasmo que possa ter quanto ao gadget em si, fico perturbado quando penso nas implicações a largo prazo do seu ecosistema fechado (iTunes, App store, iBooks, nada mutável no seu interior) para a forma como as pessoas no futuro vão usar a generalidade dos computadores. Enquanto hoje a maioria de nós está confortável nos pilares actuais dos computadores (teclado, rato, ambiente gráfico baseado em janelas, relativa abertura para mexer no OS e no hardware) daqui por 5 anos toda uma nova geração terá crescido habituada não a essa representação da realidade mas sim uma em que um objecto alvo das interacções está trancado e só pode ser usado de certa e de determinada maneira.

Daqui por 5 anos muita gente terá 7-8 anos de experiência a usar iPhones/iPads/iPod Touch e poderá estar suficientemente habituada à sua forma de trabalhar para aceitar uma progressiva migração dos Macs, por exemplo, nesse sentido. Pensemos nas pessoas que não se sentem confortáveis com os computadores actuais e, por exemplo, miúdos que tinham 8-10 anos quando apareceu o iPhone. São uma mole imensa de pessoas não viciadas nas convenções que hoje damos por adquiridas.
Com alguém - neste caso a Apple - a fazer de gatekeeper desde o momento em que compramos o computador, durante toda a sua utilização e até ao final da sua vida útil. Não é visão que me agrade particularmente.

Não me admiraria que quando chegarmos ao OS 11 o mesmo seja muito mais similar ao iPhone OS do que alguma vez poderíamos pensar.

Neste mesmo sentido, Alex Payne.

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